Há neutralidade?
A questão por demais complexa traz questionamentos múltiplos, entretanto passível de possível analise, sem vícios, em síntese, de forma a não também colocar na vala da mediocridade importante temática.
Tal questionamento: se existe neutralidade em publicações, sejam elas diversas tais quais livros, jornais, enfim, acompanha a sociedade desde sua crescente complexidade.
O termo que era absoluto para positivistas, tomou no século XX o intrínseco complemento de algo impossível, e de discurso apenas usado para persuadir, ludibriar outrem.
Atualmente no meio acadêmico é quase que uniforme o preceito de que nada está incólume à idiossincrasia: modo próprio e individual de analisar os fenômenos e os fatos. Tal pensamento é recorrentemente utilizado e sabido, porém cobra-se dos meios de comunicação, principalmente os de cunho jornalísticos, a dita cuja imparcialidade.
Se é de conhecimento que não há neutralidade, porque cobrá-los? E mais: o que haveria de errado em um meio de comunicação repassar seu ponto de vista acerca dos fatos, já que estas instituições são, majoritariamente, privadas?
A resposta é clara: as próprias publicações, ou grande parte delas, anunciam e tal neutralidade. A notícia tal qual ela é. Está, então, caracterizado neste discurso um posicionamento ideológico e inteligente.
Inteligente? Sim, ué. Ora, preceder quaisquer informações de que nelas estão imbuídos conceitos subjetivos condenaria a publicação ao descrédito e, consequentemente, ao fracasso.
Positivistas dominaram as ciências – ainda dominam, entretanto com menor intensidade – principalmente com o discurso de que o “cientista” deveria analisar um facto despido de suas pré-noções, destarte tudo que fosse pesquisado e dali analisado estaria livre de subjetividade e seria a pura verdade.
A Veja, a terceira maior revista ( Em comercialização) do Mundo, é conhecidamente uma revista com posição ideológica clara, e faz questão de reforçá-la a cada nova impressão.
Esta postura não é das mais inteligentes, por motivos supracitados.
Porém a pergunta central do texto não fora respondida: Há conteúdo neutro? Eu respondo: Não, não há, porém a não tentativa de conceber conhecimentos neutros acaba por inferiorizar as ciências humanas das exatas e fomentar a crescente disparidade que as separa.
Faço um texto no qual não tenho como objetivo chegar à imparcialidade, o resultado final será sensivelmente distinto de um no qual se tentasse atingir a meta.
Enfim: Busquemos a neutralidade, ou então o perspectivismo, para que então possamos nos orgulhar de uma sociedade una, ou no mínimo mais compreensível para com as culturas alheias.
A utopia.